Quase quatro décadas depois de ter imaginado uma festa para apresentar Itajaí aos visitantes, Luiz Felipe Sada Graf será homenageado pelo Município por meio da Secretaria Municípal de Turismo e Eventos durante a 37ª Marejada em cerimônia no Centreventos neste sábado (10), às 19h. O reconhecimento resgata a história de um empresário que, em 1987, teve uma ideia que acabou ultrapassando o propósito inicial e se transformou em uma das principais celebrações da cidade.
Felipe queria atrair para Itajaí os turistas argentinos que visitavam Balneário Camboriú. Na época, era um dos proprietários da loja Giorama e chegou a mandar produzir um mapa com os principais pontos turísticos da cidade e organizar um ônibus para buscar os visitantes.
Mas, o idealizador da Marejada percebeu que Itajaí precisava oferecer aos turistas algo que fosse mais do que um passeio ou uma visita a uma loja. Era preciso criar um evento que tivesse a cara da cidade. Foi assim que surgiu a ideia de uma festa ligada ao mar. Paulo Roberto Sada Graf, irmão de Felipe, acompanhou toda a trajetória e lembra cada detalhe do início da ideia.
A primeira Marejada ocorreu de 8 a 12 de outubro de 1987, no antigo terminal de ônibus coletivos, no espaço onde hoje está o Centreventos Governador Luiz Henrique da Silveira.
A ideia de Felipe ganhou a participação de outras pessoas que ajudaram a construir os primeiros passos da festa. Estavam entre elas o então secretário de Turismo Renato Silva, o agente de viagens Reinaldo Wanderech, o empresário Gabriel Bihr e o professor Acyr Oliveira, responsável por contribuir para a presença dos elementos da cultura portuguesa e açoriana na celebração.
Nas primeiras edições, a Marejada foi construída com forte participação da comunidade. Felipe reuniu entidades, distribuiu espaços para as barracas e incentivou a preparação de pratos como caldeirada, pastel e bolinho de peixe. A participação também ajudava as organizações a arrecadar recursos, enquanto a proposta era manter a festa acessível às famílias.
A gastronomia portuguesa ganhou espaço desde os primeiros anos, com a participação de Dona Maria, responsável pela Tasca Portuguesa, tradição que posteriormente continuou com Gabriel Bihr, da Pizzaria Forno de Lenha.
O homem que preferia os bastidores
Felipe não era apenas o idealizador. Segundo o irmão, acompanhava pessoalmente cada detalhe da festa.
Percorria as barracas, observava o atendimento, experimentava os pratos e fazia anotações sobre o que precisava ser corrigido. Também participava da criação da estrutura e da decoração.
Com facilidade para desenhar, ajudou a criar elementos que marcaram as primeiras edições, entre eles um moinho, uma torre e um chafariz.
Mesmo sendo o responsável pela ideia que deu origem à festa, Felipe preferia ficar longe dos holofotes.
“Ele não gostava de aparecer. Gostava de fazer. Estava sempre olhando tudo, vendo o que podia melhorar”, conta Beto.
Essa característica ajuda a explicar por que, durante tanto tempo, a história da Marejada esteve mais presente na memória de quem participou das primeiras edições do que no nome de seu idealizador.
Agora, o Município recupera essa história para prestar uma homenagem a Felipe e reconhecer publicamente a contribuição de quem ajudou a dar os primeiros contornos à festa.
Luiz Felipe Sada Graf morreu em setembro de 2017. Para Beto, falar do irmão é também lembrar de um período em que uma ideia ainda pequena começava a ganhar forma e encontrava na comunidade a força para crescer.
A homenagem do Município olha para o passado para reconhecer uma história que continua presente.
A Marejada que nasceu de uma ideia para trazer visitantes a Itajaí se transformou em uma festa que hoje recebe moradores e turistas, reúne gerações e ajuda a contar, todos os anos, um pouco da história e da identidade de uma cidade ligada ao mar.