A partir da nova Lei do Microzoneamento, recentemente aprovada, a cidade catarinense aumenta o potencial construtivo em eixos fora da orla e do Centro. Conhecida como a “Dubai brasileira”, Balneário Camboriú poderá levar arranha-céus de até 150 metros para os bairros e, segundo especialistas, expandir a oferta de imóveis para diferentes perfis de compradores, incentivar projetos e negócios e a valorização de novas áreas.
Agosto, 2026. Com o terceiro metro quadrado mais caro do país, segundo a FipeZap, e conhecida pela forte concentração de luxuosos arranha-céus na orla, Balneário Camboriú (SC) arrecadou, em 2025, R$ 135 milhões com outorgas onerosas - contrapartida financeira de incorporadoras destinada ao financiamento de obras de infraestrutura urbana e mobilidade. A Prefeitura prevê ampliar essa arrecadação e o potencial construtivo da cidade, com a possibilidade de desenvolvimento de edifícios nos bairros, prevista na nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, conhecida como a Lei do Microzoneamento, recentemente aprovada.
O regramento, além de manter o sistema de outorga onerosa, redistribui a capacidade de construção, incentiva projetos em terrenos maiores e prevê empreendimentos com residências, comércio, serviços e áreas de convivência. Outra novidade é que torres poderão chegar a 150 metros, levando parte do desenvolvimento para bairros que até agora estavam fora do eixo dos grandes arranha-céus.
Para Bruno Cassola, especialista em investimentos imobiliários e corretor de imóveis com atuação no mercado de luxo do Sul do país, a nova legislação amplia as fronteiras do mercado dentro da própria cidade, além da beira-mar e da região central. “Terrenos que eram subutilizados passam a incorporar novas possibilidades de desenvolvimento. Isso tende a atrair incorporadoras, estimular a formação de áreas maiores, de novos negócios e antecipar movimentos de valorização em endereços e bairros que ainda não estavam no radar dos investidores”, analisa.
A expansão também pode diversificar o tipo de imóvel ofertado. A expectativa é abrir espaço, por exemplo, para unidades mais compactas, projetos de uso misto e empreendimentos voltados à moradia permanente, à locação e ao investimento. “Unidades de duas suítes e cerca de 90 metros quadrados, hoje menos comuns nas áreas frente-mar e central, mais valorizadas da cidade, podem atender profissionais liberais, empresários e famílias que moram em Balneário Camboriú, mas não buscam imóveis acima de R$ 5 milhões. A estimativa é que apartamentos desse perfil possam chegar aos novos corredores na faixa de R$ 1,6 milhão a R$ 1,8 milhão, conforme localização, padrão do empreendimento e custo do terreno”, explica Bruno Cassola.
Na avaliação do especialista, os primeiros corredores a atrair grandes projetos deverão ser aqueles que já reúnem acessos, comércio, serviços e terrenos com dimensões adequadas. Em outras áreas, a transformação pode levar anos. “A lei do Microzoneamento, que regulamenta, na prática, as diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor, abre uma oportunidade relevante, mas não elimina a necessidade de analisar cada endereço. Os projetos com maior capacidade de valorização serão os que combinarem viabilidade imobiliária, infraestrutura e integração com a cidade. Balneário Camboriú inicia um novo capítulo de crescimento, e o resultado dependerá da qualidade das escolhas feitas a partir de agora”, conclui.
Especialista em investimentos imobiliários de alto padrão, Bruno Cassola atua há quase duas décadas no mercado e acompanha o desenvolvimento imobiliário de Balneário Camboriú e da Praia Brava de Itajaí, no litoral catarinense. É CEO da IBC Imobiliária. Mais informações em: https://www.brunocassola.com.br/.