Foto: Daniel Conzi/Agência Alesc
A Comissão Mista do El Niño da Alesc segue acompanhando o fenômeno climático no Estado. Na tarde desta terça-feira (14), durante reunião do colegiado, o meteorologista Leandro Puchalski apresentou uma atualização do cenário e reforçou que o El Niño está em processo de intensificação, com previsão de atingir forte intensidade nos próximos meses.
Segundo Puchalski, as águas da região central do Oceano Pacífico, onde o fenômeno é monitorado, aqueceram rapidamente nas últimas semanas, elevando a classificação do El Niño de moderado para forte. A expectativa é de que o pico ocorra entre setembro e outubro, período historicamente mais favorável ao aumento das chuvas no Sul do Brasil.
Apesar do cenário de atenção, o especialista destacou que a intensidade do El Niño, por si só, não determina a ocorrência de tragédias climáticas. “Uma coisa é o fenômeno e sua influência sobre o clima. Outra são os problemas que ele pode causar. O El Niño aumenta a frequência de eventos extremos, mas isso não significa que necessariamente haverá desastres. Muito depende das condições meteorológicas do momento e, principalmente, da preparação das regiões.”
Durante a apresentação, o meteorologista lembrou que outros fatores atmosféricos também influenciam o comportamento das chuvas, como a Oscilação Madden-Julian e a Oscilação Antártica. “Quando esses sistemas atuam simultaneamente ao El Niño, há maior potencial para episódios de chuva intensa.”
As projeções meteorológicas apresentadas à comissão indicam que os primeiros efeitos mais expressivos do fenômeno devem ocorrer no Rio Grande do Sul nas próximas semanas, com previsão de volumes elevados de chuva e temporais.
Segundo Puchalski, Santa Catarina permanece em uma condição mais estável neste momento, mas o cenário exige acompanhamento permanente. “A previsão de curto prazo indica que os maiores volumes de chuva devem se concentrar inicialmente no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, a expectativa é de que as chuvas avancem mais adiante, provavelmente após a segunda quinzena de julho, mas ainda com volumes menores. Mesmo assim, é uma situação que precisa ser monitorada continuamente.”