terça, 14 de julho de 2026
Geral
13/07/2026 | 16:24

Programa de estágios festeja 22 anos inspirado pela figura de Antonieta

Foto: Daniel Conzi / Agência Alesc
 
Os 125 anos do nascimento de Antonieta de Barros foram celebrados nesta segunda-feira (13), em ato organizado pela Coordenadoria de Estágios da Assembleia Legislativa, realizado em frente ao Anexo Deputado Aldo Schneider.
 
A homenagem também festejou os 22 anos do Programa Antonieta de Barros (PAB), criado por meio da Lei 13.075/2004, proposição da Mesa da Alesc.
 
O PAB é um projeto de estágios direcionados para jovens em condições de vulnerabilidade social da Grande Florianópolis. A seleção é realizada anualmente pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Ao longo do período, desde sua criação, já oportunizou o ingresso de cerca de 700 jovens, negros em sua maioria, que receberam na Alesc a primeira oportunidade no mercado profissional.
 
Onda de violência motivou a criação do PAB
 
A primeira deputada negra do país serviu de inspiração à criação do PAB. No início do século, uma onda de violência envolvendo o domínio de pontos de tráfico aumentou a tensão social em comunidades periféricas da Capital. Foram registrados 122 homicídios, e a maioria das vítimas eram jovens negros.
 
A pacificação contou com ações da segurança pública, mas também com a participação de movimentos sociais, como o Fórum das Mulheres Negras e o Pode Crer, liderado pelo padre Vilson Groh nas comunidades do Monte Serrat e do Mocotó. A repercussão desses movimentos chegou à Alesc, e resultou na estruturação do programa de estágios.
 
A pesquisadora e líder do movimento de mulheres negras Jeruse Romão, também biógrafa de Antonieta de Barros, foi convidada para ser a primeira coordenadora do PAB.
 
Estímulo ao trabalho de inclusão social
 
A coordenadora de Estágios Especiais da Alesc, Mirian Lopes Pereira, destaca a representação de Antonieta no programa desenvolvido atualmente com jovens. “Ela foi uma mulher fantástica, inspiradora, que serve de exemplo e estímulo ao nosso trabalho de fomentar a inclusão social de jovens de comunidades, de famílias em condições de vulnerabilidade social”.
 
Participação ilustre de Uda Gonzaga
 
Entre presentes na homenagem, estavam a também coordenadora do PAB por 11 anos, Marilu Lima de Oliveira, servidora da Alesc, e a líder comunitária Maria de Lourdes da Costa Gonzaga, dona Uda Gonzaga, que apesar de restrições de mobilidade, aos 88 anos, fez questão de participar do evento.
 
Uda é figura icônica no Monte Serrat. Formou-se professora como normalista no Instituto Estadual de Educação (IEE), e pedagoga pela Udesc. Foi professora em sua comunidade desde o tempo em que a única sala de aula tinha o nome de Escola Isolada do Morro da Caixa. Criou a Associação das Mulheres Negras, e também foi a primeira mulher a presidir uma escola de samba em Florianópolis, a Embaixada Copa Lord.
 
Uda, que também é conhecida como Primeira Dama do Morro da Caixa, diz que Antonieta, diretora do IEE à época em que ela era estudante, “serviu de exemplo para muitas mulheres negras, e para os jovens, pelas conquistas de espaços e realizações”.

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