terça, 30 de junho de 2026
Geral
25/06/2026 | 07:00

Exposição de Tercília dos Santos apresenta arte naïf com reconhecimento internacional

Foto: Ana Quinto / Agência Alesc
 
A exposição “A Cor do Saber e a Herança da Memória”, da artista catarinense Tercília dos Santos, em exibição no hall da Assembleia Legislativa até 2 de julho, oferece uma imersão visual no universo desta que se tornou referência na arte naïfDo francês “ingênuo”, é uma corrente artística criada por autodidatas que nunca estudaram em escolas de arte. Marcada por cores vibrantes, formas simples e cenas do cotidiano, valoriza a autenticidade acima da técnica. O Brasil é um dos maiores centros mundiais dessa expressão artística. brasileira.
 
A abertura da mostra aconteceu com a participação da artista, nesta segunda-feira (22). A visitação é possível das 7 às 19h.
 
Memória afetiva brasileira
Tercília é destaque no concurso que selecionou, por edital, artistas para exibir suas obras na Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho em 2026.
 
Ela já expôs na Alesc no início da carreira, e vê a oportunidade de apresentar seu trabalho na casa legislativa como uma perspectiva de ser mais conhecida dos catarinenses.
 
“Eu sou mais conhecida fora do que por aqui. Ano passado, ganhei quatro prêmios em outros estados”, conta.
 
Ela apresenta obras produzidas entre diferentes períodos de sua carreira, revelando composições marcadas por cores intensas, figuras humanas estilizadas, elementos da vida rural e referências à memória afetiva e cultural brasileira, explorando temas como infância, coletividade, espiritualidade, educação, herança afro-brasileira e o cotidiano popular, criando narrativas visuais que unem simplicidade estética e potencial simbólico.
 
Tercília nasceu em 1953, no distrito de Uruguai, interior de Piratuba e construiu sua linguagem visual a partir das lembranças da infância vivida no meio rural, em uma comunidade marcada pelo trabalho coletivo, pelas manifestações culturais populares e pela ancestralidade afro-brasileira.
 
Começou a pintar em 1990, criando uma linguagem própria, que transforma lembranças, vivências e referências culturais em imagens de partilha, pertencimento e celebração da vida.
 
Sonho inspirou vida artística
 
“Eu tive um sonho, com Jesus menino, e no dia seguinte decidi que iria ser pintora. Comprei tintas de óleo, mas borrava as telas porque eu pintava rápido”.
Depois, recebeu apoio de artistas renomados já à época, como Fernando Lindote e Janga, que foram estimulando a Tercília.
 
A exposição atual propõe ao público um encontro com a sensibilidade, a memória e a força da arte popular brasileira contemporânea.
 
Arte, memória e identidade
Tercília dos Santos é uma das mais reconhecidas artistas da pintura naïf brasileira contemporânea.
 
Autodidata, ela conta que foi a partir de um sonho que despertou sua necessidade de pintar e transformou profundamente sua relação com a memória, a espiritualidade e a criação artística. 
 
Suas obras apresentam cenas do cotidiano, festas populares, religiosidade, trabalho no campo, infância, natureza e convivência comunitária, traduzidas em composições de forte intensidade cromática, organização simbólica e narrativa afetiva. 
 
Ao longo de mais de três décadas de carreira, consolidou uma produção artística singular, marcada pelo uso expressivo da cor, pela presença de figuras humanas estilizadas, pássaros, flores, caminhos e elementos da cultura popular brasileira.
 
Sua pintura articula memória, identidade, pertencimento e espiritualidade, estabelecendo diálogos entre a arte popular, a experiência coletiva e a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas.
 
Reconhecimento internacional
Tercília participou de importantes exposições, festivais e bienais no Brasil e no exterior, com destaque para a Bienal Naïfs do Brasil (Sesc Piracicaba/SP), Festival Internacional de Arte Naïf (Fian), além de mostras realizadas na Itália, França e Suíça.
 
Sua obra integra acervos públicos e coleções particulares no Brasil e no exterior, sendo reconhecida pela relevância estética, social e cultural dentro da arte naïf brasileira.
 
Tercília tem seu ateliê em São José, no bairro Forquilhinhas, onde segue produzindo e desenvolvendo uma pesquisa artística voltada à memória, à cultura popular e às narrativas afro-brasileiras. 

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