terça, 30 de junho de 2026
Cultura
11/05/2026 | 10:21

Peça do mês no Museu Histórico convida à reflexão sobre a luta da população negra em Itajaí

A peça escolhida como destaque do mês no Museu Histórico de Itajaí integra a programação cultural da cidade e celebra o dia 13 de maio, data que marca a abolição da escravatura no Brasil. Doada pelo professor Edison d’Ávila em 2001, a obra propõe uma reflexão sobre o processo histórico, ao destacar que o fim da escravidão foi resultado de lutas e resistências da população negra e de movimentos abolicionistas, e não um ato isolado.O Museu funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h30 e aos finais de semana, das 9h às 13h. A exposição fica aberta ao público até o dia 29 de maio. 
 
A exposição também amplia o debate ao evidenciar que a abolição legal não foi acompanhada por políticas de inclusão social, o que contribuiu para a manutenção de desigualdades ao longo das gerações. Nesse contexto, a peça convida o público a refletir sobre diferentes narrativas construídas em torno desse momento histórico, a fim de reconhecer o protagonismo coletivo e a complexidade do período.
 
Em Itajaí, a organização da população negra remonta ao início do século XX, com a criação de espaços de sociabilidade e resistência, como o Clube Treze de Maio, fundado em 1903, além de outras entidades como o Clube Náutico Cruz e Sousa, o Humaytá Futebol Clube, o Grêmio Recreativo Doze de Janeiro e a Sociedade Cultural Beneficente Sebastião Lucas. Esses espaços foram fundamentais para fortalecer a identidade cultural e enfrentar a exclusão racial no município.
 
Décadas depois, o processo de organização continuou com a criação do Movimento Negro Tio Marco, fundado em 1991 por lideranças locais. A entidade atuou no combate ao racismo e na promoção de ações culturais, educativas e sociais voltadas à população afro-brasileira, além de incentivar a formação e o fortalecimento da identidade negra por meio de eventos, cursos e debates.
 
Entre as principais iniciativas do movimento está a organização da Festa de Nossa Senhora do Rosário, reconhecida como patrimônio imaterial da cidade, realizada atualmente por meio do Núcleo Afro Manoel Martins dos Passos. O grupo também promove a Virada Afro Cultural de Itajaí, ao reunir artistas, entidades e a comunidade em atividades voltadas à valorização da cultura negra.
 
Embora o Movimento Negro Tio Marco tenha encerrado suas atividades em 1996, sua atuação contribuiu para a formação de novas organizações e para a continuidade das lutas por igualdade racial no município. Hoje, coletivos e entidades seguem ativos em Itajaí, o que impacta na presença e na visibilidade da cultura afro-brasileira por meio de ações culturais, políticas e educativas.

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