A crise dos carros abandonados pela Polícia Civil no bairro Nova Brasília finalmente recebeu um freio da Justiça. Mas é importante lembrar: essa decisão só aconteceu porque o advogado Leandro Vinicius Hahn protocolou uma Ação Popular denunciando o abandono de veículos em vias públicas e os riscos à saúde e segurança dos moradores.
A juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso Terres determinou que o Estado retire todos os veículos das ruas próximas à Central de Plantão Policial — como a Travessa Júlio Wippel, Rua Davi Adão Schmitt e Rua Paraguai — no prazo máximo de 15 dias. Se não cumprir, paga multa diária de R$ 1 mil, podendo chegar a R$ 500 mil. A magistrada foi clara: a omissão é do Estado, não da prefeitura.
O que pouca gente lembra é que, antes dessa decisão, o vereador Sandro Serpa já havia cobrado oficialmente o governo estadual. Em abril, Serpa enviou requerimento ao governador Jorginho Mello, ao secretário Flávio Graff e ao delegado regional Márcio Colatto exigindo explicações sobre o acúmulo de sucatas e questionando por que os veículos não estavam sendo removidos para pátios oficiais.
Mas foi com a Ação Popular de Hahn que a situação ganhou força jurídica. No processo, o advogado mostrou carros depredados, portas abertas, água parada dentro dos veículos e indícios de risco real de dengue, insegurança e até uso de sucatas como abrigo para atividades ilícitas. O material fotográfico anexado ao processo evidenciou o problema de forma incontestável.
A decisão da Justiça reconhece exatamente essa realidade: o espaço público virou depósito irregular de veículos apreendidos, criando um ambiente perigoso para moradores, comerciantes e até para o Centro de Educação Infantil localizado na mesma região.
Agora, com prazo, multa e determinação expressa, o Estado é obrigado a agir. A comunidade espera que, desta vez, a solução saia do papel — porque o problema já extrapolou todos os limites.