O motorista Dener Laurito dos Santos confessou nesta quarta-feira (19) que inventou toda a história do falso sequestro no qual dizia ter sido amarrado a explosivos dentro de um caminhão no Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, no dia 12 de novembro. Ele foi indiciado por falsa comunicação de crime, mas a situação pode ficar ainda mais séria.
Segundo as investigações, Dener quebrou o para-brisa com uma pedra, bloqueou a pista propositalmente e depois se amarrou ao simulacro de explosivo que ele mesmo montou. A Polícia Civil aponta que a motivação seria chamar atenção para reivindicações dos caminhoneiros.
Juristas alertam que o caso não deve ser tratado como “brincadeira”. O advogado Miguel Kupermann explicou que a conduta abre espaço para crimes mais graves, como expor terceiros a perigo direto (artigo 132 do Código Penal) e atentado contra o funcionamento de serviço de utilidade pública (artigo 265), já que o Rodoanel é uma via estratégica para transporte e logística.
A SSP informou que o caso segue com a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Taboão da Serra, que agora busca esclarecer toda a dinâmica do episódio. Caso fique comprovada a intenção de causar pânico e bloquear a rodovia, a soma das penas pode superar — com muita folga — os 6 meses previstos apenas para falsa comunicação.