A abertura do Natal de Balneário Camboriú, realizada no sábado (16), era para ser um espetáculo milionário à altura da “Dubai brasileira”. O que se viu, porém, foi um evento com cara de ensaio: som baixo, atraso, cerimonial confuso, artistas sem retorno, famílias indo embora frustradas e uma estrutura que não chegou nem perto do que foi prometido.
E aí vem o ponto que quase ninguém comenta: esse show não é “presente da prefeitura”. Ele é pago com dinheiro público — com o dinheiro de quem trabalha, paga imposto e sustenta a cidade.
📌 O contrato ultrapassa R$ 10 milhões.
📌 Isso significa R$ 333 mil por dia de programação.
📌 A empresa contratada é a mesma do Natal Luz de Gramado, referência internacional em organização.
📌 Mas Balneário Camboriú não viu nada parecido na estreia.
Enquanto isso, BC enfrenta problemas que afetam diretamente quem mais precisa:
* falta de vagas em creches;
* famílias em situação de vulnerabilidade sem atendimento adequado;
* demanda crescente por saúde básica;
* aumento de pessoas em situação de rua;
* transporte coletivo caro e deficiente;
* infraestrutura de bairros longe do glamour da orla precisando de investimentos reais.
Com R$ 10 milhões, daria para:
* instalar centenas de pontos de iluminação pública em áreas escuras e inseguras;
* ampliar equipes de saúde e acelerar exames represados;
* fortalecer programas sociais para famílias carentes;
* melhorar o transporte de bairros periféricos;
* investir em segurança comunitária e projetos para juventude;
* reforçar a rede de proteção às mulheres.
Mas o foco, novamente, foi transformar a Praia Central num “Gramado de verão” — e nem isso entregaram.
Moradores relatam que o cancelamento repentino do desfile deixou famílias esperando na rua. Outros reclamaram que o aviso da prefeitura só veio depois das pessoas já estarem no local:
“Estrutura péssima. Não dava para ouvir nada.”
“Desisti de esperar.”
“Por esse valor, isso não podia acontecer.”
E a pergunta que precisa ser feita é simples:
Quem paga a conta dessa tentativa frustrada de glamour?
Resposta: o povo. Sempre o povo.
Enquanto a cidade se encanta com luzes, muitos preferem não olhar para a sombra: gestão, transparência e prioridade continuam sendo questões urgentes — principalmente quando se fala em dinheiro público.
E você? Acha que BC está entregando o que custa? Ou estamos financiando luxo enquanto faltam serviços essenciais para quem mais precisa?