sexta, 19 de julho de 2024
Meio Ambiente
25/06/2024 | 15:51

Instalação imersiva “O Tsunami de Plástico” avança sobre Brasília

Inaugurada hoje em Brasília, a instalação inédita “O Tsunami de Plástico” é uma obra imersiva capaz de transformar a percepção sobre a poluição nos mares e oceanos. Patrocinada pelo Instituto Lixo Zero e desenvolvida pelo Movimento Reinventando Futuros por meio do projeto Maré de Mudanças, esta obra pioneira foi criada em colaboração com o coletivo Flutua e Pimp My Carroça, com a participação essencial de catadoras e catadores de material reciclável. Visualmente impactante, a instalação retrata e educa sobre a alarmante presença de plástico nos oceanos, agora infiltrado no ar que respiramos, na água que bebemos e nos alimentos que consumimos. Com apoio da Oceana, “O Tsunami de Plástico” estará aberto para visitação durante o 3º Congresso Internacional Cidades Lixo Zero, que acontece no Museu Nacional de Brasília, com entrada gratuita em duas sessões diárias até quinta-feira (27). 
 
“O Tsunami de Plástico” é uma onda inflável com cerca de 10 metros de altura (equivalente a um prédio de 3 andares) por 20 metros de largura, totalmente construída com plástico descartado. Com 605m² de plástico soldado, a instalação foi feita com mais de 1.100 sacolas plásticas e trata-se de uma releitura de “A Grande Onda de Kanagawa”, famosa xilogravura do artista japonês Katsushika Hokusai, de 1830.
 
Acesse vídeos da onda feito por Pedro Ladeira
 
A convite do Pimp My Carroça, catadoras e catadores de material reciclável, protagonistas do trabalho que evita que os plásticos cheguem no mar, foram contratados para coletar e higienizar os plásticos, além de produzir a modelagem do inflável. Dentro da instalação, o público terá contato com a cenografia ambientada no fundo do mar e seus preciosos corais, construída com resíduos plásticos, como tapetes de grama sintética, peças de E.V.A, garrafas PET e até vapers.
 
 
Em Brasília, a instalação dá um recado claro: é preciso frear a poluição plástica e seus graves impactos no meio ambiente e nos nossos corpos
 
 
"Esta intervenção é provocativa para todos. Desde o consumidor, que deve rever seus hábitos, recusando drasticamente o consumo de plásticos de uso único, desde as indústrias poluidoras que geram essas embalagens tão pouco inteligentes, cheias de erros de design que são usados por pouquíssimos segundos, sendo elas o verdadeiro lixo nessa história toda.”, comenta Mundano.
“É um recado também para o Poder Público, para que avance na legislação contra o verdadeiro tsunami de plástico que não para de invadir a vida das pessoas. Ninguém aguenta mais tanto plástico nos nossos rios, mares, calçadas e até na nossa comida em forma de microplásticos. Basta de tanto plástico!", completa o artista. 
 
Esta 3a edição do Congresso Internacional terá como tema "Acordo Social - Um Caminho para Transformar Cidades" e reunirá lideranças mundiais para discutir o papel fundamental do engajamento comunitário na construção de cidades sustentáveis. Destaque da programação, a instalação terá duas sessões diárias abertas ao público. Com urgência para o debate sobre as mudanças climáticas provenientes dos plásticos nos oceanos, além do papel central dos catadores e cooperativas, entidades e organizações, o Movimento Reinventando Futuros organiza ainda painéis e rodas de conversas.  
 
“Abrir os trabalhos do Maré de Mudanças com um tsunami ‘invadindo’ Brasília é muito simbólico, significativo, impactante e totalmente conectado com uma das principais estratégias do Movimento Reinventando Futuros: atuar como plataforma para disseminação de conteúdos relevantes e aumentar a visibilidade de iniciativas, soluções e movimentos, usando a nossa rede de forma afetiva e colaborativa”, destaca Liu Berman, diretora do Maré de Mudanças e embaixadora do Movimento Reinventando Futuros.
 
O Brasil precisa reduzir a produção de plástico
Os 60,5 quilos de plástico da instalação têm como objetivo explicitar a real dimensão da ameaça que os plásticos representam para os oceanos, definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a segunda maior ameaça ambiental ao planeta e está em disputa política na construção do “Tratado Global Contra a Poluição Plástica”, que busca um acordo eficaz até o final de 2024. Para alcançar isso, os governos devem priorizar a concordância sobre medidas essenciais que maximizem o impacto na redução da poluição plástica. Uma das ferramentas para isso é o Projeto de Lei (PL) 2524/2022, ou PL do Oceano Sem Plástico - que tramita no Senado Federal, já recebeu aprovação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e agora segue em análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com relatoria do senador Otto Alencar (PSD-BA).
 
O Brasil tem a sua parcela de responsabilidade na poluição dos nossos oceanos, contribuindo com 325 milhões de quilos de resíduos plásticos que são todos os anos levados ao mar a partir de fontes terrestres, como disposição em lixões a céu aberto. A ciência estima que hoje há acumulado nas águas 171 trilhões de partículas de plástico que, se reunidas, pesariam cerca de 2,3 milhões de toneladas. 
 
“O Tsunami de Plástico” não apenas chama a atenção para a crise ambiental dos resíduos plásticos, mas também destaca o papel crucial dos catadores de material reciclável na mitigação deste problema, prestando uma indispensável contribuição para o manejo eficiente dos resíduos. Esses profissionais, invisíveis para a sociedade, são os responsáveis por manejar 90% dos materiais que são efetivamente reciclados no país.
 
Entenda o Projeto de Lei 2524/2022
O Projeto de Lei (PL) 2524/2022, mais conhecido como PL do Oceano Sem Plástico, propõe que todos os itens deste material produzidos no Brasil sejam recicláveis, reutilizáveis ou compostáveis. Dessa forma, os produtos descartados voltam para a cadeia de produção ou se tornam matéria orgânica, fechando um sistema de Economia Circular. Tramitando agora na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, este Projeto de Lei visa reduzir os rejeitos plásticos que se acumulam nos aterros e lixões, poluindo cidades, rios e oceanos, além de poupar dinheiro gasto com limpeza pública.
A produção desenfreada de plásticos não recicláveis é frequentemente usada como justificativa para a implantação de incineradores, que ameaçam o trabalho dos catadores de materiais recicláveis e a saúde da população. O PL 2524/2022 é resultado de uma construção coletiva e tem o apoio de quase 80 organizações, incluindo a Oceana, o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Unicatadores, o Pimp My Carroça e a Aliança Resíduo Zero Brasil (ARZB), além de entidades da área da saúde, ambiental e de pescadores artesanais, que integram a campanha “Pare o Tsunami de Plástico”. 
 
Conheça o Maré de Mudanças
O Maré de Mudanças é uma iniciativa informativa, educativa e criativa que busca trazer as pessoas para uma imersão oceânica. Através de experiências interativas e sustentáveis, promove a conscientização sobre as ameaças aos oceanos e incentiva ações para a conservação dos recursos marinhos. O movimento debate a biodiversidade, a Baía de Todos os Santos (Amazônia Azul) e a década dos oceanos, propondo ainda debates sobre a poluição por plástico, branqueamento dos corais, pesca fantasma e as mudanças climáticas. Com o objetivo de promover a educação ambiental, o Maré de Mudanças deseja conscientizar e conectar a sociedade civil com a pauta oceânica, chamando atenção para a necessidade da despoluição e redução do impacto do plástico. 
 
Serviço
O quê: Instalação imersiva “O Tsunami de Plástico” 
Onde: Museu Nacional da República, em Brasília/DF
Quanto: 100% gratuito
Quando: Entre 25 e 27 de junho
25 de junho: Sessão 1: 9h às 13h | Sessão 2: 15h30 às 19h30
26 de junho: Sessão 1: 14h às 17h | Sessão 2: 18h às 20h
27 de junho: Sessão 1: 14h às 16h | Sessão 2: 17h às 20h
 
Programação Movimento Reinventando Futuros - Congresso Cidades Lixo Zero
25 de junho - Sala Clima
15h15 às 16h15 - Painel Maré de Mudanças
26 de junho - Roda de Conversa no Tsunami
15h00 às 16h00 - Pare o Tsunami de Plástico 
27 de junho - Sala Reinventando Futuros
14h às 15h - Princípios da Economia Circular: Bases da Economia Regenerativa
15h às 16h15 - Economia Circular e Inovação Alimentar (Ancestral)
16h30 às 17h30 - Ecossistema de Trabalho Circular
17h45 às 18h45 - Equidade na Economia Circular 
19h às 20h - Soluções Criativas e Inovadoras para a Circularidade
 
Sobre o Movimento Reinventando Futuros 
O Movimento Reinventando Futuros é uma iniciativa dedicada a reinventar métodos e ações no presente, com o objetivo de minimizar os impactos futuros e desenvolver soluções por meio de projetos de arte educação, fomento a políticas públicas, promoção da cultura como ferramenta de transformação, colaboração estratégica e engajamento comunitário. Criativo e circular, o MRF busca engajar a sociedade civil em projetos educacionais que contribuam efetivamente para a construção de uma sociedade mais consciente e responsável. A criadora e embaixadora do MRF, Lídice Berman, explica: "Nosso Movimento é feito por pessoas, para pessoas. Nosso propósito é reinventar caminhos e formas de agir no presente, para minimizar os impactos que já estão na conta do futuro, fortalecendo as bases de educação priorizando os 4C’s: cidadania, circularidade, criatividade e cura”. Saiba como fazer parte do time colaborativo do MRF: Link 
 
Sobre o Pimp My Carroça 
O Pimp My Carroça é parte do Movimento de Pimpadores, organização de sociedade civil sem fins lucrativos - que executa programas e projetos variados com foco nas catadoras e catadores de todo o Brasil por meio da arte, tecnologia, educação, colaboração e inovação social. Fundado em 2012 pelo artivista Mundano, o Pimp My Carroça já realizou mais de 12 mil atendimentos a catadores, com envolvimento direto de mais de 20 mil pessoas em 60 cidades e 20 países, apresentando soluções para atender às demandas trazidas por esses profissionais e incluí-los nos espaços de decisões políticas que influenciam diretamente suas vidas e o meio ambiente. Saiba mais: Link
 
Sobre o Coletivo Flutua
A Flutua é um coletivo que surgiu na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia em 2017 e realiza oficinas educativas e objetos infláveis utilizando plásticos e outros materiais descartados. O coletivo atua entre Uberlândia e São Paulo e é formado por profissionais da arquitetura e do urbanismo e estudantes das artes visuais e do design, mas em cada atividade agregam-se novas parcerias prezando pela multidisciplinaridade dos trabalhos. Seus eixos principais de atuação são: ambiental, educativo, artístico e arquitetônico-urbanístico. 
Flutua realiza suas atividades em escolas, universidades, comunidades em situação de vulnerabilidade e eventos de natureza diversa e procura sempre envolver qualquer pessoa interessada nas suas ações na intenção de facilitar a participação do público que se identifica com suas atividades. Saiba mais: Link
 
Sobre o Congresso Internacional Cidades Lixo Zero 
Entre os dias 25 e 27 de junho, Brasília sediará o Congresso Internacional Cidades Lixo Zero, um evento que visa ampliar a compreensão sobre a gestão de resíduos sólidos no Brasil e no mundo. O encontro, realizado no Museu Nacional da República, reunirá gestores de várias cidades globais que implementaram com sucesso práticas de lixo zero, apresentando soluções para um problema que impacta comunidades mundialmente e contribui significativamente para as mudanças climáticas. Confira a programação completa em: Link 
 
Sobre a Oceana
A Oceana é a maior organização internacional dedicada exclusivamente à conservação dos oceanos. Através de campanhas baseadas na ciência e direcionadas às políticas públicas, já conquistou mais de 300 vitórias ao redor do mundo para garantir a restauração e saúde dos nossos mares. 

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