quarta, 23 de junho de 2021
Política
13/11/2015 | 12:45

“Não existe uma pré-candidatura do Décio hoje a prefeito, mas sim uma intenção nossa de convida-lo a ser o nosso candidato a prefeito”

Após perder uma das principais estrelas da sigla em Itajaí, com a saída do ex-deputado Volnei Morastoni, o diretório municipal do PT tenta reestruturar a casa para 2016. O partido busca agora reforço na juventude e em nomes já conhecidos na região. Uma das possíveis apostas para concorrer à prefeitura é o deputado federal Décio Lima. 

Presidente do diretório petista municipal, Manoel Jesus da Conceição, o Maneca do PT, acredita que Décio retorna à Itajaí para somar. Na presidência há apenas seis meses, Maneca aguarda pela convenção municipal para ter o nome ratificado na executiva do diretório.

O ex-secretário de Obras e Habitação de Itajaí é o entrevistado desta semana do Jornal dos Bairros. Maneca, que cumpriu mandato na câmara de 1993 a 1996, já representou Itajaí em Brasília na direção da extinta Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República e atualmente é assessor do deputado Décio Lima. Formado em História e Ciências Sociais, fala sobre a credibilidade do atual governo, os impasses envolvendo os Morastonis e, claro, a articulação do PT para as eleições municipais no ano que vem. 

Jornal dos Bairros – Como o PT está se articulando para 2016, deve lançar candidato?

Maneca – Temos uma listagem significativa de candidatos a vereadores. O PT vem trabalhando, praticamente, desde o começo do ano com essa montagem. Hoje temos uma média de 30 a 35 candidatos que já se manifestaram com a intenção de montar a nossa chapa. Estamos também articulando todo o processo para fazer a disputa na prefeitura com candidato a prefeito, a vice-prefeito ou estar dentro de uma coligação que esteja de acordo com a nossa concepção política.

Jornal dos Bairros – Com a saída dos Morastonis, o Décio Lima pode vir a concorrer na cidade?

Maneca – O Décio se transfere para Itajaí com uma intenção clara de ajudar o partido e ajudar a política do município; ele é nativo daqui e saiu depois que pegou o diploma no curso de Direito [Univali] e foi atuar no movimento sindical em Blumenau. A partir disso o Décio fez carreira, foi vereador e prefeito por duas vezes, depois se elegeu deputado federal e está no terceiro mandato. O Décio retornaa à Itajaí com intenção clara de ajudar no processo. Se ele vai ser candidato ou não é uma coisa que os demais partidos, nós do PT, vamos articular para que aconteça ou não. Não existe uma pré-candidatura do Décio hoje a prefeito, mas sim uma intenção nossa de convida-lo a ser o nosso candidato a prefeito. Isso ainda tem tempo para acontecer. Não queremos colher os frutos antes de estarem maduros. É um processo que conversamos com muitos partidos. A partir do momento em que acharmos que temos condições e que este processo está estabilizado e que existe uma vontade própria do Décio em vir enfrentar esta disputa, nós podemos escolher ele como candidato, sim. Antecipar nomes e candidatura é muito ruim devido ao processo que nós estamos atravessando na cidade. Vamos com calma e cautela. Existem muitos pré-candidatos. O Décio pode ser um deles, mas não há nada de concreto hoje. 

Jornal dos Bairros – Quando deixou o PT, o Thiago Morastoni disse que não estava tendo voz dentro do partido. Isso ocorreu ou o senhor acha que o descontentamento era geral por conta da situação nacional e isso foi usado como desculpa?

Maneca – Acredito que o Thiago se desculpou. Ele fez uma bela desculpa porque sempre teve espaço dentro do partido. Existiu um problema no início do mandato dele, em que ele atacou publicamente pessoas do executivo do partido. Algumas pessoas na época exigiram retração dele e abriram uma comissão de ética. No final fizemos um acordo, ele se retratou e continuou no partido sem nenhum problema. Ele alega inclusive que foi perseguido. Ora, como ele se diz perseguido se na eleição estadual passada foi convidado pelo PT estadual, aceito pelo PT municipal a ser o candidato a vice-governador da chapa com Cláudio Vignatti? Que perseguição é essa que ele sai, praticamente, do anonimato em Itajaí e é galgado no Estado a ser uma referência na campanha política? Como pode o Thiago alegar que ele é perseguido se ele ainda é o líder do PT na Câmara de Vereadores de Itajaí? O PT nunca tirou o cargo de liderança dele, nunca pediu o cargo mesmo após as acusações ao PT publicamente como ele fez. O PT nunca pediu esclarecimentos ao Thiago. Ele sai do partido em uma confusão muito grande. Ele assinou uma ficha de filiação no PMDB, imediatamente soltou uma nota nos meios de comunicação e principalmente nas redes sociais dizendo os motivos para a saída do PT, mas ele não cumpriu a decisão de se filiar ao PMDB e não entregou a ficha de filiação. O Thiago ficou em um jogo duplo: filiado ao PT e assinando ficha em outro partido, sem ir na Justiça Eleitoral reconhecer. No dia 6 de outubro ele encaminhou à Justiça um pedido tutelar antecipado para que ele permanecesse no mandato do vereador e pudesse sair do PT. [Tinha chances de ele perder o mandato com a desfiliação do PT?] Sim. Ele deu entrada no processo no Tribunal Regional Eleitoral e perdeu o pedido de liminar. Ele alegava uma série de coisas no processo, inclusive que sofria perseguição do partido e nunca houve isso. A própria juíza reconheceu isso. Na decisão, ela reconhece que isso é problema político. O PT apresentou a defesa em nível estadual e vamos esperar a decisão da juíza. O importante é que o Thiago alegou perseguição, mas a juíza não reconheceu. Quando o Thiago soltou uma carta dizendo que ele sairia do partido, o PT deixou as portas abertas para ele, mas o Thiago preferiu sair e atacar o partido. Principalmente nas redes sociais.

Jornal dos Bairros – A credibilidade em baixa do governo federal pode refletir nas eleições municipais? O senhor acha que no ano que vem os candidatos do PT terão maior rejeição?

Maneca – No último ano, com a vitória da Dilma Rousseff, a oposição ainda não entendeu de que eles perderam a eleição para presidência da república. Os grandes meios de comunicação e os partidos de oposição, capitaneados pelo PSDB em nível nacional, fazem um verdadeiro festival na tentativa de incriminar o PT de todas as maneiras. Somos vítimas de um jogo muito bem orquestrado pela grande mídia, inclusive pelos setores do judiciário. Se existe denúncia contra o PT deve ser apurada, mas deve ser apurada denúncia contra PSDB, contra o PP e demais partidos. De todos os indiciados na Operação Lava Jato, apenas dois são do PT. A grande maioria é do PP e gente do PMDB, mas só aparece como culpado aquele que é do PT. Só é presa gente do PT, sobre os demais a imprensa não vê problema. Esse é o caso do Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados. Está provado de que ele é o grande beneficiado na Operação Lava Jato tanto quanto o Lula. Juiz nenhum tem coragem de pedir a prisão do Cunha. Sabe-se de todas as operações na Suíça e que envolve muito dinheiro. Nós estamos sofrendo uma perseguição muito grande. Em Itajaí, qual partido que não está manchado? Boa parte do governo municipal foi preso, grandes lideranças presas, vereadores, secretários, outras pessoas foram afastadas. Nós zeramos esse processo em Itajaí, devemos reconstruir a cidade e o projeto político do município. Todos os partidos vão sofrer com a população de uma forma direta ou indireta, maior ou menor, mas vai se sofrer com a consequência da conjuntura tanto nacional quanto municipal. 

*Confira a entrevista completa na versão impressa do Jornal dos Bairros


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