sexta, 18 de junho de 2021
Geral
22/03/2012 | 15:25

O ARTISTA E OPERÁRIO JUAREZ MACHADO - por Luiz Henrique da Silveira

Nesta segunda-feira, 26 de março, o mundo pranteia os 120 anos da morte do grande poeta norte-americano Walt Whitman, autor de maravilhas como estas: "Eu sou um vértice de coisas feitas e um cercado de coisas por fazer"; "Não toco hinos só para vencedores consagrados, toco hinos também para as pessoas batidas e assassinadas. Vocês já ouviram dizer que ganhar o dia é bom? Pois eu digo que é bom também perder: batalhas são perdidas com o mesmo espírito com que são ganhas"; "Existo como sou, isso é o que basta: se ninguém mais no mundo toma conhecimento, eu me sento contente; e se cada um e todos tomam conhecimento, eu contente me sento. Existe um mundo que toma conhecimento, e este &ea cute; o maior para mim: o mundo de mim mesmo".

Mas não é de Whitman que vou tratar neste artigo. Lembrei dele e fiz a seleta acima porque ela sintetiza muito bem outra personagem: o nosso artista maior Juarez Machado, que, neste sábado, 24 de março, completa 71 anos bem vividos e, o que é melhor, borbulhante de criatividade, produtividade e joie de vivre.

Consagrado no Rio, depois em Paris, de onde ganhou o mundo, seria natural que ele esquecesse a sua Joinville. No entanto, a verdade é que ele vive Joinville a cada hora e cada instante. Em tudo o que ele pinta há alguma coisa - uma rua, uma casa, uma pessoa, uma paisagem de Joinville. Como El Greco, que reproduzia um mesmo rosto em cada tela, em cada obra juarezina há um sinal da sua terra natal.

Para se ter ideia do seu amor por Joinville, em 1998 ele idealizou e pintou um mural de dimensões monumentais para adornar a entrada principal, o umbral frontal do Centreventos Cau Hansen. A obra - “O Grande Circo” - tem 120 m2 (11 metros de altura de cada lado, 4 de profundidade e um travessão de 9 metros).

Em uma de suas frequentes visitas a Joinville, pedi que fizesse a obra. Ele ficou encantado, mais do que isso, empolgado! Na viagem de volta para Paris já foi ruminando ideias. Ao chegar ao Charles De Gaulle, já tinha um esboço do painel rabiscado. Dois dias depois, a obra já estava pré-concebida e ele trabalhava nela dia e noite!

Menos de um mês após aquele contato, cheguei ao seu atelier da Rue des Abbesses. Cheio de mistério, começou a falar de seu deslumbramento com o circo, recordando paixões infantis pela bela moça que cavalgava três magníficos cavalos árabes, pelo globo da morte, a fascinação pelos palhaços, pelos mágicos. Juarez dizia que se imaginou artista quando descobriu o circo.

Prestes a descerrar o pano que encobria o protótipo final da obra, ele perguntou: “O que eu deveria colocar no mural de uma obra que vai servir para música, dança, acrobacia, canto, comédia, drama e esporte?”. E respondeu ao mesmo tempo em que descia o pano: “O circo, é claro. Foi lá que começou tudo isso!”.

Eu e Ivete ficamos extasiados! Confesso que, por um momento, me senti como aquele cardeal que teve a primazia de ver a abóbada de Michelangelo, na Capela Sistina.

Num casamento, em Florianópolis, fiz um desafio ao Cesinha e a Valério Gomes, dirigentes da extraordinária cerâmica Portobello. E eles toparam transplantar para azulejos a obra do Juarez e doar a Joinville o mural em cerâmica.

Juarez pediu uma cama e, durante meses, virou operário da Portobello, ganhando, inclusive, lesões musculares e ortopédicas.

Juarez simboliza, sincroniza, interpreta, imprime, exprime Joinville. E faz isso como um grande operário do pincel, que trabalha, todo santo dia, das 6h30 até 22 horas. Até nisso ele sintetiza perfeitamente Joinville. Muito trabalho e paixão pela excelência.


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