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Observatório Social por Observatório Social

CIDADANIA, CONTROLE SOCIAL E PACIÊNCIA HISTÓRICA

Observatório Social de Itajaí não é um órgão de fiscalização, não possui poder de polícia, não dá multas, ou coisas desse gênero. O Observatório faz o que simplesmente deve fazer: observa. Observar significa monitorar, acompanhar. É o que fazemos: monitoramos e acompanhamos de perto o uso do nosso dinheiro, a aplicação dos recursos públicos por parte do Município de Itajaí.

Quem observa deve possuir algumas virtudes fundamentais, entre elas está a paciência. Observar exige paciência e isenção de ânimo.

A observação sistemática segue passos predeterminados e avança como uma construção, passo a passo, conclusão encima de conclusão, tudo anotado e fundamentado. É por este motivo que o bom observador deve saber dar tempo ao tempo. Pouca gente desenvolve essa sabedoria.

Que tipo de paciência é exercido pelo Observatório? A paciência que faz parte do dia a dia dos agentes do Observatório Social de Itajaí é a chamada paciência histórica, no sentido que dava a essa expressão o educador Paulo Freire. Dizia ele que há três tipos de paciência: a paciência afetiva, que nos faz capazes de aguentar a incompreensão dos outros; a paciência pedagógica, que nos faz tolerantes com os níveis e etapas de desenvolvimento das demais pessoas; e, por fim, a paciência histórica, que nos torna capazes de dar tempo ao tempo, de ver o momento certo para cada coisa e de utilizar esse momento na condição que ele tem, aguardando, inclusive, por condições melhores, quando essas não são propícias.

Ter paciência é saber esperar, manter-se firme no foco, aguardar que a tempestade passe para continuar caminhando, lutar contra o inimigo certo, no campo certo, com as armas certas, no momento certo.

É claro que este deve ser um exercício constante, uma busca contínua. Não ter paciência significa não ter capacidade de análise, nem capacidade de decisão.

É do mesmo sábio Paulo Freire a frase: “Se você não fizer hoje o que hoje pode ser feito, e tentar fazer hoje o que não pode ser feito, dificilmente fará amanhã o que hoje deixou de fazer”, pois as coisas mudam. É preciso, portanto, utilizando corretamente a virtude da paciência, agir no momento certo, pois a paciência deve ser exercida dentro de certos limites. Quando se perde o momento certo de agir, alegando paciência histórica, essa virtude se transforma em fraqueza e, como todo mundo sabe, muito para o leste já é oeste...

A paciência histórica deve ser utilizada como comportamento estratégico e, somente assim, ela se torna um dos principais ingredientes do sucesso. É a espera pelo momento certo que possibilita a diminuição das frustrações.

Quando uma equipe consegue ser paciente na medida certa, é sinal de que aprendeu a administrar a própria vida, de que sabe respeitar o tempo e o ritmo do outro, de que gerencia com tranquilidade as expectativas em relação ao futuro e contorna com mais facilidade aquelas situações que estão fora de seu controle.

É evidente que ser paciente não é coisa fácil, porém, a conquista da virtude da paciência histórica nos ajuda no controle das emoções e das situações que exigem extrema contenção.

A importância do exercício da virtude da paciência para quem observa comportamentos e procedimentos alheios está no fato de que ele induz ao autocontrole e à isenção de ânimo, necessários aos julgamentos que não transformam coisas simples em tempestades, ou que desembocam em leituras distorcidas e interpretações equivocadas dos fatos.

É exercitando a paciência histórica que as equipes do Observatório Social de Itajaí procuram descobrir novas formas de diálogo entre a sociedade e o Estado, procurando, através da Educação para a Cidadania, diminuir o conflito existente entre eles, desenvolver o nível de consciência do cidadão e efetivar os seus direitos.

É preciso caminhar na direção da paciência histórica e da tolerância, sabendo que o mais importante nessa busca não é o lugar no qual nos encontramos, mas a direção para a qual nos movemos. Como diz o ditado, paciência e canja de galinha não fazem mal a ninguém, já que a paciência é a mãe da boa vontade e faz muito bem à vista.





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