sábado, 18 de novembro de 2017
25/06/2010 - 00:00

Deficientes visuais praticam surf na Praia da Atalaia

 

 

O surf é um esporte que exige muita observação, é necessário observar o mar, as ondulações, os outros surfistas, os banhistas, o vento e a correnteza. A movimentação da água nunca é a mesma, às vezes mais calma, outras nem tanto. A cada momento da onda, se tem a necessidade de um posicionamento específico. O movimento do corpo, juntamente com a prancha, usada de forma harmoniosa e o mar, torna o surf um dos mais belos espetáculos.

 

Jailson Fernandes, fundador da Associação Escola de Surf Amigos da Atalaia, conta que quando era jovem, tinha muita vontade de aprender a surfar. Mas enfrentou muitas dificuldade para encontar uma escola para orientá-lo e por não ter nenhum equipamento. Os anos se passaram e Jailson tornou-se um surfista e também começou a fabricar pranchas. E foi por causa das dificuldades que passou, há alguns anos, que em 2005 teve a ideia de fundar uma escolinha gratuita de surf na Praia da Atalaia para crianças: Escola Amigos da Atalaia. Quando as aulas iniciaram, a supresa foi grande: os mais interessados em aprender o esporte, foram os adultos.

 

A escola:

A escola de surf  gratuito para a comunidade, teve a necessidade de se tornar Associação, para assim, possibilitar a realização de convênios com entidades públicas e privadas. As parcerias são formadas quando há a necessidade de compra de equipamentos. “Neste ano não temos convênio porque já temos as  lycras, as roupas térmicas e as pranchas”, explica Fernandes. Quando a vida útil dos equipamentos encerrar, as parcerias poderão ser realizadas. A Associação fornece todo os equipamentos para os alunos e aulas de surf em troca de 1Kg de alimento por aula. “Nossa intenção é apresentar o esporte, não vamos ensinar manobras radicais”, acrescenta Jailson.

 

 

Como surgiu o projeto para deficientes:

A  Associação Escola de Surf da Atalaia, está envolvida constantemente com esportes náuticos da cidade. “Eles nos chamam para fazer a segurança dos eventos”. E em um desses eventos, em 2007, numa travessia à nado, entre a praia de Cabeçudas e Atalaia, Jailson guiava o atual Vereador Marcelo Werner, deficiente visual. “No meio do trajeto, disse à ele de brincadeira, para participar da escola de surf, para minha surpresa ele aceitou”. Na semana seguinte as aulas para deficientes visuais começaria. “Foi uma semana que eu não dormi direito, porque eu nunca tinha dado aula para deficientes visuais”. Jailson conta que os instrutores e os demais alunos se surpreenderam, “eles seguem a risca tudo o que a gente diz, são obedientes e têm muita facilidade para aprender”.Assim que o instrutor Jailson começou a dar aulas, conta que um aluno deficiente visual declarou: “interessante, eu não sabia que o surf era em pé”.

 

 

Até hoje passaram pela Associação 2500 alunos convencionais e 12 deficientes visuais. Jailson, declara que pelo menos dez alunos deficientes aprenderam mais rápido o surf do que os 2500 alunos. “Sem contar que a gente aprende com eles, além de prestarem a atenção em tudo, os sentidos são muito mais apurados. Eu só narro e eles executam”. Jailson acredita que a sociedade e até mesmo a família impõem barreiras na vida dos deficientes visuais. “Já teve aluno que veio de ônibus sozinho de Brusque para a aula, é só acreditar neles e incentivar, a vida deles pode ser normal”.

 

Aberta para a comunidade e deficientes visuais, a escola conta com oito voluntários, no verão este número aumenta. O máximo de alunos em um domingo de aula, foram 75. No inverno, cerca de 20 alunos frequentam as aulas. Os instrutores são rigorosos com os horários, os participantes devem estar antes das 9 horas para o início das aulas de domingo.  A escola contribui também, para o turismo do município. Pessoas de todos os lugares vêm prestigiar as aulas. Segundo Jailson, até pessoas de outros países.

 

Quebra de record mundial de surf para cegos

Em 2009 a Associação de Surf da Atalaia realizou um evento, onde a Escola estabeleceu uma marca de 7 surfistas cegos surfarem a mesma onda na mesma prancha. A marca foi alcançada. No domingo (27), às 10 horas, será realizado a tentativa da quebra deste recorde estabelecido pela Associação. Fiscalizadores do ranking Brasil, comparecerão ao evento. Para a nova marca serão necessários pelo menos 8 surfistas cegos. Segundo Jailson se for atingida a meta, este dado será incluso no Guinnes Book, livro dos recordes, em comemoração aos 150 anos de Itajaí.“A intenção é para que as outras associações se interessem também na raealização desses eventos. Quem mais se beneficia com isso, é o deficiente visual”.

 

Neste mesmo dia será realizado também, um surf treino, que está aberto para toda comunidade. Serão duas categorias: o Long Board Open e Open pranchinha, com premiação de um Long Board e uma roupa de borracha respectivamente para as categorias, mais troféus. O treino será realizado depois da tentativa de quebra do recorde.

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