quarta, 11 de dezembro de 2019
12/11/2019 - 17:51

Estudo revela como se compra, usa e descarta roupas em BC

Anlise sinaliza que aes para consumo consciente ainda no se aplicam, na prtica

?Para onde vo as roupas que so jogadas fora? ". Esse questionamento originou um estudo feito pela acadmica Julia Eduarda Riboli e pela professora Graziela Morelli, do curso de Design de Moda da Universidade do Vale do Itaja (Univali). Conscincia de moda sustentvel, perfil de compra, uso, manuteno e descarte das vestimentas so algumas das questes analisadas no trabalho.

Em abordagem quantitativa, a coleta de dados ocorreu com foco na comunidade acadmica do Campus Balnerio Cambori. O local foi escolhido para amostragem por reunir vrios segmentos de pblico - alunos, professores e funcionrios - de diversas idades, com realidades e situao econmica diferentes. Responderam aos questionrios 608 pessoas, sendo 463 mulheres e 145 homens; 513 estudantes, 55 funcionrios e 29 professores. Entre eles, 447 pessoas com idade entre 15 e 25 anos e 92 pessoas entre 26 e 35 anos. O restante situa-se nas faixas etrias superiores, a partir de 36 anos, totalizando uma quantidade menor de respondentes.

O estudo revela que 69,7% dos pesquisados ainda preferem comprar suas roupas em lojas fsicas. Em relao ao estilo das roupas compradas, 87,3% falou adquirir peas bsicas. Apenas 37 pessoas afirmaram comprar a maioria de suas roupas em lojas online e 4,3% disse optar por adquirir roupas de segunda mo, ou seja, em feiras, brechs ou com o aluguel de peas. Dos respondentes, 39,1% compra roupas a cada trs meses; 27,8% a cada seis meses; e 18,8% todo ms. Sobre o conhecimento da origem das marcas que compra, a maioria (79,8%) diz no saber e demonstra no estar interessado em valorizar marcas locais ou regionais. A pesquisa mostrou ainda que 49% dos participantes lavam a roupa depois de us-la duas vezes, 23,7% uma vez e 23,4% aps utiliz-la trs vezes. A maior parte, 81% acredita que compra roupas por necessidade. Entre os principais critrios de escolha para compra destacam-se o preo (87,5%), a qualidade (82,2%) e o estilo (60,9%).

A sustentabilidade e a valorizao do trabalhador local por trs de uma pea de roupa no so preocupaes significativas para as pessoas que participaram da pesquisa. Apenas uma disse consider-las como fator de deciso. Em contrapartida, respostas a outra pergunta indicam que 42,8% das pessoas se interessam, mas admitem no pesquisar sobre o assunto. A customizao e a manuteno das peas no foram indicadas como alternativas adotadas: 56,5% afirmou que nunca ou raramente o fazem. Sobre o tempo de uso, os grupos mais representativos foram: 35,9% usa as peas durante trs anos antes de se desfazer delas; 29,9% durante cinco anos ou mais; e 24,8% durante dois anos.

Sobre o destino dado s roupas depois que elas no so mais teis para o usurio, os respondentes podiam assinalar mais de uma resposta. A maioria (82,9%) alegou doar para pessoas prximas; em seguida vem a doao para instituies de caridade, com 65,1%. Em contradio com a questo da customizao, 23% fala que transforma em outra coisa e reutiliza; 15,3% vende; 10% troca e uma nica pessoa respondeu que queima suas roupas. As duas razes predominantes que motivam o descarte foram o desgaste da pea (78,1%) e por ela no servir mais (69,1%). Estar fora de moda (17,6%) e arrependimento da compra (20,2%) tambm apareceram com resultados relativamente altos. A ltima questo perguntou se o pblico j contribuiu com algum projeto que d continuidade a peas de roupa. Quase metade do pblico (48,2%) afirmou j ter participado de campanhas do agasalho ou de igrejas, 23% das pessoas diz j ter colaborado com eventos de doao, mas 25,7% dos questionados admite nunca ter contribudo com nenhum desses projetos.

?Queramos entender a fase em que a roupa est na mo do consumidor que uma etapa importante do ciclo de vida do produto no que diz respeito sustentabilidade", comenta a professora. Em linhas gerais, segundo Graziela, o estudo demonstra que apesar das pessoas terem conhecimento das questes de sustentabilidade, na hora da compra, do uso e do descarte, as aes ainda so muito frgeis, porque poucos observam de forma mais aprofundada a origem das suas compras e o impacto de suas aes.

A acadmica Julia refora que mesmo com o discurso polarizado e campanhas constantes nas mdias a respeito de resduo, consumo, preservao e consumo consciente, na prtica, a pesquisa comprovou o que a literatura tambm vem indicando: ?Infelizmente, o que constatamos que essas aes no se revelam to efetivas pelos consumidores. Esses dados permitiro o aprofundamento das anlises e a ampliao da pesquisa, para que sejam propostas solues e estratgias que possam reverter ao menos uma porcentagem desse quadro preocupante", pondera a aluna.

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